

Emendas de Flávio Bolsonaro chegam a empresas e entidades sob investigação
Emendas parlamentares indicadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foram utilizadas para pagamentos a empresas e entidades que estão sob investigação ou questionamento de órgãos de controle. Levantamento publicado pelo UOL em 1º de outubro rastreou recursos indicados pelo parlamentar desde 2020 e identificou pagamentos envolvendo uma entidade classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato”, empresas investigadas pela Polícia Federal e um instituto cuja liberação de verba foi tratada por um miliciano condenado no caso Marielle Franco. Desde 2020, mais de R$ 300 milhões foram reservados no Orçamento federal para emendas indicadas por Flávio.
Um dos casos envolve o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), que recebeu R$ 666 mil em agosto de 2025 a partir de uma emenda de R$ 3,1 milhões indicada por Flávio em 2024 para a atenção básica de saúde de Mesquita, na Baixada Fluminense. Em junho de 2026, a Receita Federal enquadrou o instituto como “inexistente de fato” e registrou, em documento citado pelo UOL, haver “razões que evidenciam que a empresa foi constituída para prática de fraude fiscal, inclusive em proveito de terceiras empresas”.
O IMP também é alvo de apuração pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Segundo o levantamento do UOL, a entidade é contratada por diferentes municípios fluminenses para administrar serviços de saúde e, somente em Mesquita, firmou contratos que somaram mais de R$ 580 milhões entre 2019 e o fim de 2024. O tribunal apontou suspeitas relacionadas à contratação, incluindo questionamentos sobre estudos técnicos prévios e indícios de conluio no procedimento que resultou na escolha do instituto.

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