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Equipes de busca no Nepal resgatam dois trabalhadores de túnel de usina hidrelétrica

4 de set.
3 min de leitura

Equipes de resgate retiraram vivos dois trabalhadores de um túnel da usina hidrelétrica Trishuli 3A, no Nepal, nove dias após uma enchente soterrar o local. O resgate ocorreu na madrugada de sexta-feira, 4 de setembro de 2026, e envolve uma operação que ainda procura centenas de pessoas. Pelo menos 557 trabalhadores continuam desaparecidos no projeto, com cerca de 115 possivelmente presos no túnel principal.


Nepal ©AFP
Nepal ©AFP

Os trabalhadores foram encontrados no túnel principal do canteiro de obras da usina hidrelétrica Trishuli 3A, no distrito de Rasuwa. Eles estavam sob os destroços provocados pela enchente que atingiu o Nepal em 26 de agosto.


O desastre ocorreu após uma avalanche associada ao colapso parcial de uma geleira. Água, rochas e lama desceram pelos vales do Himalaia, atingindo comunidades e estruturas instaladas na região.


Mais de 1.200 pessoas morreram no desastre. O número de desaparecidos no Nepal e no Tibete, território controlado pela China, ultrapassa 5.000, enquanto dezenas de milhares de pessoas ficaram sem moradia.


Imagens divulgadas pelo Ministério da Energia do Nepal registraram o momento em que um dos trabalhadores saiu por uma abertura coberta de lama. Socorristas o ajudaram a se levantar e o carregaram até um helicóptero.


Um segundo trabalhador foi retirado coberto de lama e colocado em uma maca. Durante o transporte, ele juntou as mãos em sinal de oração.


Os trabalhadores foram identificados pelo ministro do Interior do Nepal, Sudan Gurung, como Sanjay Shah, de 30 anos, encarregado de mecânica, e Kabir Maharjan, de 45 anos, supervisor de mecânica.


Amir, irmão de Maharjan, falou à agência de notícias AFP após o resgate.


“Estou tão feliz, meu coração está mais leve”, afirmou.


O Exército do Nepal informou que os dois homens receberam atendimento médico e seriam encaminhados para um hospital em Katmandu. A corporação também informou que as operações de busca e resgate permanecem em andamento.


Os dois trabalhadores são os primeiros sobreviventes retirados de usinas hidrelétricas ou projetos de construção atingidos pelo desastre no Nepal. No projeto Trishuli 3A, pelo menos 557 trabalhadores permanecem desaparecidos.


As equipes estimam que cerca de 115 pessoas possam estar presas no túnel principal. Um porta-voz do Exército informou que um dos trabalhadores resgatados declarou aos socorristas que ainda havia outras pessoas vivas dentro da estrutura.


A informação passou a orientar a continuidade das buscas no túnel, enquanto as equipes trabalham entre os destroços acumulados após a enchente.


O ministro das Comunicações do Nepal, Bikram Timilsina, afirmou que as autoridades mantêm a busca por outros trabalhadores.


“Estamos aguardando o resgate de cada vez mais pessoas”, escreveu Timilsina nas redes sociais.


As equipes de resgate procuram sobreviventes desde o desastre de 26 de agosto. O número de desaparecidos inclui pessoas no Nepal e no lado tibetano, território administrado pela China.


O Nepal recusou em grande parte a ajuda internacional oferecida após o desastre. Na sexta-feira, porém, a Austrália enviou uma equipe especializada em drones para participar das buscas.


A equipe australiana tem 15 integrantes, formada em sua maioria por agentes de emergência estaduais. A missão foi enviada a pedido do governo nepalês e passou a integrar as operações de resgate.


Trinta e seis cidadãos australianos continuam desaparecidos após as enchentes. Jeremy Fewtrell, comissário do Corpo de Bombeiros e Resgate de Nova Gales do Sul, afirmou que a equipe pretende utilizar os recursos disponíveis para localizar pessoas que possam ter sobrevivido.


“Ainda temos esperança de que pessoas possam estar vivas em algum lugar e esperamos que esta equipe possa ajudar a localizar alguma delas”, disse Fewtrell a jornalistas no Aeroporto de Sydney.


No Nepal, pelo menos 1.287 mortes foram confirmadas após o desastre. Dezenas de milhares de pessoas ficaram desabrigadas em consequência das enchentes e dos deslizamentos provocados pela movimentação de água, rochas e lama.


No lado tibetano, a China informou 21 mortes e 541 pessoas desaparecidas após os eventos registrados na região.

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