Governo Lula reduz fila do INSS e analisa pedidos em tempo inferior ao prazo legal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em 3 de setembro de 2026, que o INSS reduziu o tempo médio de análise de benefícios para 34 dias. O prazo está 11 dias abaixo do limite legal de 45 dias e ocorre após a redução do estoque de processos de 3,1 milhões, em fevereiro, para 1,25 milhão. Lula também afirmou ter orgulho da investigação que desarticulou a estrutura responsável por descontos indevidos contra aposentados.

Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a meta do governo não é eliminar os pedidos de benefícios, mas reduzir o tempo de espera entre a solicitação, a análise e a resposta do Estado. “Humanizar a fila, fazer a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, de esperar e de receber o benefício”, declarou.
Segundo dados apresentados pelo Ministério da Previdência Social, cerca de 250 mil pessoas aguardavam havia mais de 45 dias por atendimento. Em julho, o INSS recebeu 1,435 milhão de novos pedidos de aposentadorias e benefícios assistenciais e produziu 1,658 milhão de respostas.
A diferença entre entradas e respostas permitiu ao instituto reduzir o estoque de processos. Em fevereiro, havia 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise; em setembro, o número caiu para 1,25 milhão, uma redução de 60%.
Lula afirmou que a existência de pedidos não representa, por si só, concessão automática do benefício. “Se as pessoas estão pedindo é porque elas acham que têm direito. Nós temos que avaliar se têm direito. Se têm direito, a gente dá; se não têm direito, a gente diz que não têm. É assim que funciona a máquina pública”, disse.
O presidente também criticou a demora nas respostas negativas. “Demorar para dizer ‘não’ é o fim da picada. Então nós temos que ter noção: quando for para dizer ‘não’, dizer logo para amenizar o sofrimento”, declarou.
Ao tratar das contas públicas, Lula rejeitou a responsabilização dos aposentados e pensionistas pelo déficit previdenciário. O presidente afirmou: “O déficit é o R$ 1,3 trilhão que a gente tem que pagar de juros todo ano.”
Lula também relacionou a política previdenciária ao crescimento econômico e à renda dos trabalhadores. “O PIB está crescendo 2,8%, você dá 3% de aumento real para o menor salário do país, o que é que vai quebrar este país? […] É preciso que a gente tenha noção do que quebra este país e do que ajuda este país”, afirmou.
Na sequência, defendeu o pagamento de benefícios como obrigação estatal. “Isso não é gasto, isso é obrigação de um Estado civilizado: garantir que todos os seus possam tomar café, almoçar e jantar todo santo dia. E é isso que a Previdência faz”, declarou.
O presidente também mencionou as investigações sobre descontos indevidos realizados contra beneficiários do INSS. Lula afirmou ter “muito orgulho” de seu governo ter investigado e desarticulado “a quadrilha que foi montada no governo passado para roubar aposentado, para roubar as pessoas mais humildes deste país, as pessoas que têm uma vida financeira precarizada”.
Por determinação de Lula, os aposentados e beneficiários do INSS atingidos por descontos indevidos receberam ressarcimento, conforme informado pela Rede PT de Comunicação.
A redução da fila também foi apresentada pelo governo como cumprimento de uma promessa feita durante a campanha presidencial de 2022. O número de respostas passou a superar o volume de novos requerimentos que entram no sistema.
Em julho, foram registrados cerca de 1,4 milhão de novos pedidos e 1,7 milhão de respostas. A diferença entre os dois números contribuiu para a redução do estoque de processos pendentes.
As concessões de benefícios também aumentaram entre janeiro e julho de 2026. O crescimento registrado no período foi de 67%, com média mensal de 730 mil benefícios concedidos.
As decisões de recusa também cresceram, com alta de 70% no mesmo período. Os dados indicam aumento tanto das concessões quanto das negativas durante o processamento dos requerimentos.
As reclamações relacionadas à demora na análise de benefícios caíram 82% entre janeiro e agosto. Em fevereiro, foram registradas 15.519 reclamações, enquanto agosto terminou com 2.570.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, atribuiu os resultados a cinco medidas adotadas pelo governo federal. Entre elas está a nomeação de 2,5 mil novos servidores para ampliar a capacidade de atendimento e análise do INSS.
Outra medida foi a expansão do teleatendimento para perícias médicas, com utilização voltada também para pessoas que vivem em regiões onde o acesso aos serviços presenciais é limitado.
O tempo médio de espera por perícia médica caiu de 70 dias, em agosto de 2023, para 17 dias, em agosto de 2026. A mudança ocorreu junto à ampliação do atendimento por tecnologia.
O governo também implantou a perícia médica documental, modalidade que permite analisar documentos para concessão de benefícios sem que o requerente precise se deslocar para uma unidade de atendimento.
Outra iniciativa foi o pagamento de bônus a servidores que realizam tarefas além das metas estabelecidas. O programa resultou em mais de 2 milhões de atendimentos adicionais em 2026.
Os mutirões realizados aos fins de semana também foram ampliados. Até agosto de 2026, foram realizados 300 mil atendimentos nessa modalidade, contra 31 mil registrados em 2023, aumento de 868%.
A presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, afirmou que a redução da fila ocorreu sem alteração dos procedimentos de revisão dos requerimentos. “O enfrentamento da fila foi feito com responsabilidade e compromisso com a população”, declarou.
“Cada requerimento representa uma família e uma necessidade real. Por isso, mais do que comemorar a redução da espera, comemoramos a ampliação da capacidade do Estado de acolher, analisar e responder com mais rapidez as demandas da população”, afirmou Ana Cristina.
A presidente do INSS também declarou: “Quando há liderança e reunião de esforços, é possível transformar grandes desafios em resultados concretos”.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, relacionou os resultados à forma como o governo federal organiza o acesso aos direitos previdenciários previstos na Constituição.
“A Constituição brasileira assegurou os direitos da Previdência à sua população, mas a forma como o cidadão consegue acessar esse direito depende muito das escolhas que cada governo faz. O nosso governo resolveu levar esses direitos a toda a população, não só a quem está na capital do Estado ou numa grande cidade, mas nos locais mais distantes desse país”, afirmou.
Miriam Belchior também apontou o envelhecimento da população como um dos fatores relacionados ao aumento da demanda por benefícios. A ministra acrescentou que os pedidos também cresceram porque os direitos previdenciários passaram a alcançar pessoas que antes encontravam barreiras para acessar os serviços.
Ela citou o caso de moradores de cidades do interior que enfrentavam dificuldades para concluir pedidos por não haver peritos médicos em seus municípios. Segundo a ministra, o uso de tecnologia e teleatendimento ampliou o acesso a esses serviços.
“Garantir acesso é fundamental”, declarou Miriam Belchior.
A ministra também afirmou que uma orientação transmitida por Lula ao governo é reduzir os obstáculos enfrentados pela população para acessar direitos previstos em lei.
“Uma orientação que o presidente tem nos dado sempre é que a gente tem que facilitar ao máximo a vida das pessoas. Conseguir um direito não pode ser uma corrida de obstáculos”, afirmou.























































