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Irã alerta para guerra apocalíptica em caso de nova agressão estadunidense

28 de set.
3 min de leitura

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o país está preparado para responder a qualquer agressão, mesmo que ela desencadeie uma guerra apocalíptica. Em declarações divulgadas no domingo, após entrevista à emissora estadunidense NBC News, o chanceler reafirmou que Teerã busca uma solução diplomática, mas não aceitará ataques contra seu território. Araghchi também denunciou o descumprimento de acordos anteriores por Washington e questionou a disposição do governo de Donald Trump para retomar as negociações.


Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

“ O presidente Pezeshkian e eu não viemos a Nova York para promover a guerra. Viemos para forjar a paz. No entanto, o Irã se mantém firme contra qualquer agressão, mesmo que ela desencadeie uma guerra apocalíptica”, declarou Araghchi em mensagem publicada após sua participação no programa Meet the Press, da NBC News.


O chanceler reiterou que o governo iraniano permanece disposto a negociar, desde que as tratativas resultem em compromissos concretos. “O Irã está preparado para uma diplomacia real”, afirmou, ressaltando que a disposição para o diálogo não significa aceitar ameaças ou renunciar ao direito de responder a uma agressão.


Durante a entrevista, Araghchi abordou as negociações anteriores com os Estados Unidos e afirmou que a experiência com Washington comprometeu as condições necessárias para a retomada das conversações. Segundo o ministro, embora a diplomacia continue sendo uma possibilidade, as ações do governo estadunidense nos últimos dois anos não oferecem garantias para a abertura de novas negociações.


O chanceler afirmou que Teerã exige o cumprimento de compromissos assumidos anteriormente pelos Estados Unidos. As reivindicações iranianas, conforme explicou, estão relacionadas a acordos já negociados entre os dois países, incluindo o memorando de entendimento assinado em junho, que estabeleceu condições para o encerramento das hostilidades.


Araghchi ressaltou que o Irã não abandonou a possibilidade de uma solução diplomática, mas considera que as ações de Washington comprometem a credibilidade das negociações. O ministro lembrou que os Estados Unidos realizaram ataques contra o território iraniano enquanto as tratativas diplomáticas ainda estavam em andamento e, posteriormente, descumpriram compromissos assumidos em acordos anteriores.


A posição de Teerã também foi reiterada pelo presidente Masoud Pezeshkian, que declarou que o Irã já não confia nos Estados Unidos após os ataques realizados durante as negociações. Para o governo iraniano, a retomada do diálogo depende de compromissos que impeçam a repetição dessas ações.


A crise diplomática ocorre após a agressão conjunta dos Estados Unidos e de Israel, iniciada em 28 de fevereiro. Em resposta, as Forças Armadas iranianas realizaram ataques contra instalações e alvos estratégicos estadunidenses em diferentes regiões do Oriente Médio, ampliando o alcance das operações militares na região.


O Irã também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, medida que provocou uma elevação dos preços internacionais do petróleo e afetou o mercado energético. A passagem marítima concentra parte significativa do transporte mundial de petróleo, tornando qualquer interrupção de suas operações um fator de pressão sobre os mercados internacionais.


A escalada militar prolongou-se por sete meses, transformando as operações em uma guerra de desgaste para Washington e provocando uma crise energética nos Estados Unidos e em outros países. Os efeitos sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis ampliaram as consequências econômicas da agressão para além do Oriente Médio.


Diante desse cenário, autoridades iranianas têm advertido que uma nova ofensiva estadunidense ou israelense contra o país poderá ampliar a área de confrontação e atingir outros interesses militares na região. Teerã também reiterou que suas Forças Armadas estão preparadas para responder a novos ataques e que qualquer nova agressão poderá provocar uma expansão das operações militares iranianas.

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