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Legislador iraniano denuncia carta dos EUA como tática de pressão

27 de mar. de 2025
2 min de leitura


Um alto legislador iraniano afirmou que uma recente carta enviada pelos Estados Unidos ao Irão não representa uma autêntica tentativa de diálogo, mas sim mais um instrumento na estratégia de pressão contra o país.


Ebrahim Azizi, parlamentar por Shiraz e presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Irão, declarou em entrevista ao Press TV que a iniciativa americana reflete a continuidade de sua "campanha de pressão máxima".


A correspondência, assinada pelo ex-presidente Donald Trump em março, reacendeu debates sobre possíveis negociações para um novo acordo nuclear, especialmente com a aproximação do "dia do término" do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Assinado em 2015, o pacto previa restrições ao programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções. No entanto, os EUA se retiraram unilateralmente do acordo em 2018, durante o governo Trump, e impuseram novas sanções ao Irã.



Diplomacia ou Pressão Política?


Azizi destacou que, considerando a história de hostilidades e sanções por parte dos EUA, a carta não pode ser vista como um gesto genuíno de diálogo. "O documento não reflete uma oportunidade real de negociação, mas sim um novo meio de pressão travestido de diplomacia", afirmou.


O parlamentar reiterou a posição do líder supremo do Irã, aiatolá Seyyed Ali Khamenei, que rejeita negociações sob coerção. "O Irã defende a dignidade e a soberania. Qualquer processo diplomático deve ser baseado no respeito mútuo e na igualdade", completou.


Apesar disso, Azizi frisou que Teerã não descarta completamente o diálogo e segue buscando a remoção das sanções através de canais legais e institucionais, como as Nações Unidas e acordos com outras potências internacionais.


Para um eventual substituto do JCPOA, o parlamentar afirmou que a principal exigência do Irã é a remoção total e irreversível das sanções. Ele também defendeu garantias jurídicas para evitar futuras violações, citando a "experiência amarga" da retirada unilateral dos EUA em 2018.


Azizi ressaltou que qualquer novo acordo deve assegurar o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, dentro dos seus interesses soberanos. Ele criticou a tentativa dos EUA e aliados de impor restrições adicionais ao programa nuclear iraniano, aos mísseis balísticos e à influência regional do país.


Apoio de China e Rússia


O parlamentar destacou ainda a importância da cooperação entre Irã, Rússia e China na contenção das sanções e pressões ocidentais. "Essas parcerias, baseadas em interesses comuns e respeito mútuo, fortalecem a posição do Irã no cenário internacional", afirmou.


Recentemente, delegações dos três países se reuniram em Pequim para discutir a questão nuclear, reiterando a necessidade de suspensão das sanções e o respeito às diretrizes do acordo original de 2015.


A crescente pressão dos EUA sobre o Irã, associada às demandas ocidentais por um novo acordo, continua a gerar tensões diplomáticas, com incertezas sobre o futuro das negociações nucleares.

 
 

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