PF apreende sete armas em operação que investiga Mario Frias
A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo nesta quinta-feira (10), durante a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-RJ). A investigação também alcança duas organizações sociais vinculadas à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

As armas apreendidas estariam registradas em nome de Mario Frias, mas foram encontradas em um endereço que não pertence ao parlamentar. A circunstância levou os investigadores a apurar também uma possível posse ilegal de arma de fogo, além das suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos.
O núcleo financeiro da investigação concentra-se na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Frias para organizações ligadas a Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse. A empresa Go Up, responsável pela produção do filme, não está entre os alvos dos mandados cumpridos pela PF.
Os alvos ligados a Karina são o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A operação busca esclarecer como os recursos públicos foram destinados às organizações e qual foi a trajetória do dinheiro após os repasses.
Em maio, Mario Frias negou ao STF que as emendas parlamentares tivessem sido utilizadas para financiar a produção cinematográfica. Na ocasião, o deputado afirmou que os recursos não foram destinados a "qualquer produção cinematográfica".
A investigação, porém, examina a relação entre a destinação das emendas e as organizações vinculadas à produtora do filme. A apuração pretende identificar se houve irregularidades na aplicação dos recursos públicos e se os valores seguiram a finalidade declarada.
De acordo com informações da Polícia Federal, levantamentos financeiros apontaram movimentações na ordem de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado. A dimensão das transações levou a PF a ampliar a apuração sobre a circulação dos recursos e as relações entre os envolvidos.
A investigação apura suspeitas dos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. O peculato ocorre quando um funcionário público se apropria ou utiliza bens ou valores públicos em razão das funções exercidas.
Além das sete armas, os agentes apreenderam o telefone celular de Mario Frias durante o cumprimento dos mandados. O aparelho deverá integrar o material analisado pelos investigadores no curso da apuração sobre os repasses e as relações financeiras examinadas pela operação.
A operação ocorre em meio a investigações sobre o financiamento e as relações financeiras envolvendo Dark Horse. A produção retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, enquanto a apuração da PF concentra-se nos recursos públicos destinados às organizações relacionadas à produtora Karina Ferreira da Gama.
A Polícia Federal também investiga as circunstâncias envolvendo as armas atribuídas a Frias. Como elas estavam registradas em nome do parlamentar, mas foram localizadas em outro endereço, os investigadores deverão apurar quem mantinha a posse dos armamentos e em quais condições.
A TV Globo informou ter procurado Mario Frias e a defesa de Karina Ferreira da Gama para obter posicionamentos sobre a operação. Até a publicação das informações utilizadas como base para esta reportagem, não havia resposta.























































