Protestos na Sérvia contra hotel de luxo de genro de Trump em local bombardeado pela Otan
Milhares de manifestantes tomaram as ruas de Belgrado na segunda-feira (25) para protestar contra o projeto de construção de um hotel de luxo no local onde funcionava o antigo Estado-Maior do Exército da Iugoslávia, destruído pelos bombardeios da Otan em 1999. O empreendimento é administrado pela Affinity Global Partners, empresa ligada a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O governo sérvio firmou, no ano passado, um acordo multimilionário para a reconstrução da área, concedendo um arrendamento de 99 anos para um complexo que incluirá um hotel da marca Trump, apartamentos de alto padrão, escritórios, lojas e um memorial dedicado às vítimas dos ataques. A oposição política tem criticado duramente a iniciativa, enquanto o presidente Aleksandar Vucic defende o projeto como parte da modernização da capital.
A manifestação coincidiu com o Dia da Memória da Sérvia, que marca o início dos bombardeios da Otan, em 24 de março de 1999. Reunidos entre as ruínas do antigo quartel-general, os manifestantes exigiram que o local fosse preservado como um patrimônio histórico, e não cedido para empreendimentos privados. Muitos o consideram um símbolo da agressão da Otan e condenam sua entrega a investidores estrangeiros.
"O Estado-Maior, um centro cultural da Sérvia, foi bombardeado pela Otan e pelos Estados Unidos, e agora querem entregá-lo aos americanos? É absurdo e irônico", afirmou um dos manifestantes. Outro participante classificou o projeto como "totalmente inaceitável".
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram manifestantes entoando slogans contra a Otan e segurando cartazes com frases como "Nunca esqueceremos" e "Otan e Trump Tower". Muitos erguiam bandeiras da Sérvia, além de estandartes da Rússia, China, Coreia do Norte e Palestina, em um ato de oposição à aliança militar ocidental e à União Europeia.
Os protestos ocorrem em meio a uma onda de manifestações contra a corrupção na Sérvia, desencadeadas pelo colapso de um prédio na estação ferroviária de Novi Sad, em novembro passado, que deixou 16 mortos e resultou na renúncia de autoridades, incluindo o então primeiro-ministro Milos Vucevic. O governo sérvio tem atribuído as manifestações a interferências estrangeiras, alegando que grupos de oposição estariam colaborando com serviços de inteligência ocidentais para desestabilizar o país.























































