top of page

Congressista dos EUA propõe sanções contra países que recebem ajuda médica cubana

10 de abr. de 2025
2 min de leitura

Em mais um capítulo da hostilidade sistemática dos Estados Unidos contra Cuba, o deputado da Flórida, Carlos Giménez, exigiu do governo federal a imposição de tarifas econômicas a países que mantêm convênios de cooperação médica com a ilha. A proposta escandalosa foi formalizada por meio de uma carta enviada ao Secretário de Estado, Marco Rubio, na qual Giménez solicita que o governo Trump “tome medidas imediatas” contra essas nações.



Médicos cubanos seguram uma imagem do falecido presidente cubano Fidel Castro durante uma cerimônia de despedida antes de partir para a Itália para tratar vítimas do coronavírus. Havana, Cuba, em 21 de março de 2020.
Médicos cubanos seguram uma imagem do falecido presidente cubano Fidel Castro durante uma cerimônia de despedida antes de partir para a Itália para tratar vítimas do coronavírus. Havana, Cuba, em 21 de março de 2020.


A alegação? Que os acordos de assistência médica oferecidos por Cuba seriam formas modernas de “escravidão”. O deputado não apenas ignorou os depoimentos públicos de profissionais cubanos — que reafirmam a natureza voluntária das missões — como também alinhou sua retórica à velha narrativa de criminalização da solidariedade cubana.


A proposta visa penalizar financeiramente governos estrangeiros que recebem médicos cubanos, num claro esforço para estrangular uma das principais fontes de receita da ilha caribenha. Cuba, que há mais de seis décadas resiste ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA, vê suas missões médicas como um símbolo de cooperação internacional e diplomacia humanitária — algo que, ao que parece, fere interesses políticos em Washington.


Carlos Giménez
Carlos Giménez

A ofensiva de Giménez não para por aí. Em declarações nas redes sociais, ele chegou a ameaçar os próprios cubano-americanos, alertando que enviar dinheiro ou visitar familiares em Cuba será feito “por sua conta e risco”. “Você foi avisado”, escreveu, num tom que muitos consideraram intimidatório e inaceitável.


Na semana anterior, o deputado já havia pressionado o Departamento do Tesouro para cancelar todas as viagens entre os EUA e Cuba e proibir qualquer envio de remessas a residentes da ilha. A justificativa? “Enfraquecer o regime”. O que não é dito: quem sofrerá primeiro com essas medidas será a população comum, e não as autoridades cubanas.


A cruzada liderada por Giménez reflete a postura de um grupo restrito, porém influente, de legisladores cubano-americanos no Congresso — entre eles, Mario Díaz-Balart e María Elvira Salazar — que, apesar de suas origens diversas, mantêm uma visão congelada no tempo sobre a ilha que abandonaram.


Enquanto isso, o governo cubano continua denunciando as ações dos Estados Unidos como violações do direito internacional e ataques diretos à soberania de países que optam por firmar parcerias médicas com Havana. Desde 1963, mais de 600 mil profissionais de saúde cubanos atuaram em 164 países, oferecendo serviços em locais onde, muitas vezes, nenhum outro médico chega.


Atualmente, missões cubanas estão presentes em 56 países ao redor do mundo. Ainda assim, ao invés de reconhecer o impacto humanitário dessas ações, setores do poder em Washington optam por tentar bani-las — transformando solidariedade em alvo e ajuda médica em ameaça geopolítica.

 
 

NOSSA LOJA

ÚLTIMAS HISTÓRIAS

EDITORA CLANDESTINO

bottom of page