“Adeus, pátria e família”: Flávio Bolsonaro ainda pode assombrar o Brasil?
“Adeus, pátria e família!” foi a melhor referência encontrada para o atual momento, agradeço ao cordelista pernambucano Felipe Amaral por ceder um pouco de sua criatividade.

Dois dias antes do segundo turno das eleições, após as primeiras curvas dos gráficos das pesquisas começarem a se inverter, eu tomava café à mesa da cozinha quando disse à minha esposa: “Esse cara vai perder e fugir para os EUA via Argentina”. Obviamente, eu me referia a Flávio Bolsonaro.
Eu deveria ter registrado a profecia “Janonica”, mas, com o acúmulo de trabalho em três veículos de comunicação e mais a militância voluntária, acabei perdendo a oportunidade. Como prova, só me resta a palavra da minha esposa. Mas nem é sobre isso que quero falar. Diante do histórico bolsonarista de covardia, com casos como Monark, Allan dos Santos, Alexandre Ramagem, o nazista anticristo evangélico e autoproclamado líder religioso - que nem lembro o nome -, Eduardo Bananinha, Carla Zambelli e tantos outros que fizeram o mesmo, fica claro que criatividade e honra não fazem parte do vocabulário dessa turma. O fato é que esse tempo extra para pensar na fuga desse covarde em especial me ajudou a refletir sobre o perigo que ele representa como foragido. E esse é o tema central desta discussão.
Bem, analisando a história, desde a década de 1960, Luis Posada Carriles, Orlando Bosch e outros mafiosos cubanos se estabeleceram em Miami, o mesmo recanto do gusano narco Marco Rubio, para fomentar golpes contra o governo cubano. Todos esses projetos fracassaram e, apesar dos embargos, das tentativas de assassinato e das sucessivas tentativas de golpe, o povo cubano resistiu e ainda resiste, pois, além de um Estado forte, há em Cuba um povo resistente que jamais esquece sua história. Temos muitos outros exemplos latino-americanos e até orientais, como o de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, deposto pela Revolução Islâmica de 1979. Desde então, esse suposto herdeiro do xá é usado como símbolo de uma hipotética resistência no exílio: uma resistência burguesa, formada por inimigos da pátria que não conseguem sequer arranhar a superfície da legitimidade do governo iraniano. Um “rei” distante do apoio popular, que fala hebraico fluentemente, mas, que parece incapaz de dar bom-dia em farsi.
Agora voltemos ao Brasil. Quase simultaneamente às especulações sobre a fuga do Flávio, Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, principal base partidária do bolsonarismo - já que nem sequer conseguiram reunir assinaturas suficientes para fundar o próprio partido -, apressou-se em declarar que a legenda aceitava e reconhecia a validade da eleição para o quarto mandato do presidente Lula. E por quê? Bem, porque Valdemar se tornou uma figura sem protagonismo dentro do próprio partido desde que o clã Bolsonaro se estabeleceu. Sendo assim, o maior beneficiado pela eventual fuga de Flávio seria o próprio Valdemar. Isso sem contar figuras mais novas e manipuláveis, mais fáceis de manter sob rédeas curtas, como Nikolas Ferreira, Pavanato e outras marionetes como a tal Capobianco. Afinal, nenhum deles ostenta um subgrupo político próprio como o dos Bolsonaro.
Vamos ser sinceros também: a permanência de todos esses golpistas que hoje estão nos EUA ou em outros países depende do governo e do mandato de seu líder. Se Trump perder as eleições de meio de mandato, dificilmente haverá alguém na política estadunidense disposto a dar continuidade às suas loucuras. Entre a guerra contra o Irã, o apoio ao genocídio palestino e o auxílio a foragidos brasileiros, ninguém vai querer continuar sustentando a política de Trump se estiver realmente interessado em vencer uma eleição.
Para finalizar, Flávio no exterior é tão perigoso quanto um vampiro banguela; por mais que queira cravar os dentes e sugar as energias de um país, não tem dentes para isso. Mas isso também não nos isenta de responsabilidade. Assim como no Irã, nós, brasileiros, fizemos uma revolução sem tiros, uma revolução pela escolha da maioria, tanto, que Pedro Sánchez anunciou, no dia seguinte, pretender replicar na Espanha e que os argentinos buscam usar para expurgar Milei. Assim como em Cuba, essa revolução partiu do apoio popular. Sendo assim, precisamos, a exemplo de Cuba e do Irã, ser o poder popular que sustenta os pilares de um Estado forte, insubmisso à ingerência estrangeira e, acima de tudo, soberano.
Flávio, seus dias como protagonista da política brasileira já passaram. Que este artigo seja a primeira pá de terra a enterrá-los.
Lucas Siqueira,
Jornalista e editor do Jornal Clandestino

























































