Estudantes ocupam universidades e ruas em mobilização nacional após primeiro turno
Estudantes universitários e secundaristas organizaram manifestações em mais de 40 universidades, distribuídas por 14 estados e pelo Distrito Federal, após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A mobilização começou em 5 de outubro, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e ganhou adesão com a campanha “Estudantes com Lula”, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). A entidade estabeleceu um calendário de atividades até a véspera do segundo turno, marcado para 25 de outubro, com assembleias, passeatas e ações de diálogo com eleitores.

O movimento ganhou força depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante do resultado, organizações estudantis anunciaram iniciativas para ampliar a participação política nas ruas, combater a desinformação e debater temas como democracia, direitos sociais, educação pública e soberania nacional.
A presidente da UNE, Bianca Borges, declarou que a mobilização será mantida até o segundo turno. “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”, afirmou.
A primeira mobilização ocorreu na segunda-feira, 5 de outubro, quando estudantes da Faculdade de Direito da UFF se reuniram em Niterói para discutir o cenário eleitoral. A assembleia deu lugar a uma passeata que saiu do campus do Gragoatá em direção ao bairro de Icaraí. Na terça-feira, 6 de outubro, os estudantes voltaram a se manifestar, apesar da chuva, e seguiram até a Praça Arariboia.
No Recife, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizaram, também na terça-feira, um ato no Centro de Artes e Comunicação. A manifestação incluiu reivindicações em defesa da universidade pública, do financiamento da ciência e da autonomia universitária.
Na quarta-feira, 7 de outubro, estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da UFF, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e de escolas públicas marcharam pelo centro da capital fluminense, da Candelária à Cinelândia. Em Salvador, universitários da Universidade Federal da Bahia (UFBA) saíram da Faculdade de Educação, no campus do Canela, e caminharam até o Largo da Vitória.
Em Porto Alegre, estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizaram uma assembleia que reuniu integrantes da comunidade universitária. As atividades também passaram a envolver entidades sindicais, movimentos populares e organizações juvenis, que buscam ampliar a participação nas ruas durante o período eleitoral.
O presidente da Federação Nacional de Estudantes de Direito (Fened), Hugo Silva, relacionou a mobilização às preocupações com possíveis retrocessos democráticos. “Costumam dizer que a juventude é o futuro do Brasil, mas nós somos o presente. E é agora que queremos ter garantido o nosso direito à universidade pública, à saúde de qualidade, à educação e às políticas sociais que transformam a vida do nosso povo”, declarou.
Na noite de quinta-feira, 8 de outubro, estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie realizaram uma manifestação em apoio à reeleição de Lula na Rua Maria Antônia, em São Paulo. O ato reuniu alunos da Universidade de São Paulo (USP), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e integrantes do movimento estudantil. Durante a mobilização, houve troca de provocações e xingamentos com apoiadores de Flávio Bolsonaro que estavam em estabelecimentos da região.
A manifestação começou por volta das 19h, depois que a reitoria do Mackenzie proibiu atos político-partidários dentro do campus, em resposta à convocação de uma assembleia favorável à reeleição de Lula. Estudantes organizados no coletivo “Mack com Lula” transferiram a atividade para a rua.
A Polícia Militar interditou a Rua Maria Antônia e acompanhou a passeata, que seguiu em direção à Praça Roosevelt. Não foram registrados confrontos diretos entre os grupos durante o trajeto, conforme o relato publicado pelo portal Vermelho em reportagem de Barbara Luz, em 9 de outubro de 2026.
O local tem relação com a história dos confrontos políticos durante a ditadura militar. Em outubro de 1968, a chamada Batalha da Maria Antônia colocou estudantes da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP em confronto com grupos de extrema direita, entre eles integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O episódio terminou com a morte do estudante José Guimarães.
Cinquenta e oito anos depois, a rua voltou a receber uma manifestação estudantil em meio à disputa eleitoral. A referência a 1968 integra a memória política do movimento estudantil e dos confrontos entre organizações de esquerda e grupos de extrema direita durante a ditadura.
A campanha “Estudantes com Lula” pretende levar a mobilização para além dos campi universitários e mantê-la até o segundo turno. A orientação da UNE é que as assembleias sejam acompanhadas de atividades de rua, distribuição de panfletos e conversas com eleitores em bairros populares, terminais de transporte e outros espaços públicos.
A entidade afirma que a atuação não deve ficar restrita às redes sociais nem aos estudantes que já apoiam Lula. A estratégia inclui abordar pessoas indecisas, eleitores que não votaram no primeiro turno e aqueles que ainda não decidiram seu voto.
Bianca Borges explicou a combinação entre comunicação digital e contato presencial: “Temos combinado ruas e redes: a rede para alcançar uma geração que recebe informação pelo celular, mas também entendendo que nenhuma estratégia digital substitui a conversa olho no olho.”
O calendário divulgado pelos organizadores reúne manifestações nas cinco regiões brasileiras, com atividades previstas entre 9 e 19 de outubro. A agenda inclui atos em universidades, praças, centros urbanos e espaços públicos.























































