Imprensa internacional reage à proposta de Flávio Bolsonaro de mudar a Constituição
A proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de alterar a Constituição para, segundo ele, “redemocratizar” o Brasil repercutiu na imprensa internacional como sinal de risco de ruptura institucional. Jornais da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina associaram a declaração ao projeto político de Jair Bolsonaro e ao avanço do bolsonarismo no Congresso. As reportagens também relacionaram a possibilidade de uma base parlamentar maior às medidas defendidas pelo candidato, incluindo mudanças constitucionais, anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e ações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O britânico The Guardian publicou uma reportagem intitulada “‘Outro golpe de Estado’: cresce o temor após Flávio Bolsonaro prometer ‘redemocratizar’ o Brasil”. O jornal recordou que o Brasil retomou o regime democrático na década de 1980, após 21 anos de ditadura, período associado ao histórico político de Jair Bolsonaro, que já manifestou elogios ao regime.
A publicação britânica relacionou a proposta de Flávio ao receio de uma nova ruptura institucional. A expressão “outro golpe de Estado”, utilizada no título da reportagem, remete à possibilidade de que a discussão sobre alterações na Constituição seja inserida no contexto das tentativas de ruptura ocorridas após as eleições de 2022.
O Washington Post, dos Estados Unidos, abordou o avanço eleitoral da direita e avaliou que uma ampliação da base parlamentar poderia conceder a Flávio “um poder que seu pai nunca teve”. A reportagem destacou que a composição do Congresso seria um dos elementos capazes de ampliar a margem de ação política do candidato caso ele assuma a Presidência.
O jornal estadunidense apontou que uma base parlamentar mais ampla poderia ser utilizada para tentar aprovar uma anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro, promover mudanças na Constituição e abrir processos contra ministros do STF. As medidas aparecem vinculadas ao programa político defendido pelo campo bolsonarista durante a campanha eleitoral.
Na Espanha, o El País classificou Flávio como candidato “ultra” e destacou a preocupação provocada por sua proposta diante do histórico de Jair Bolsonaro e das articulações relacionadas à tentativa de ruptura institucional após a derrota eleitoral de 2022. O jornal também mencionou propostas atribuídas à campanha, como mudanças no Judiciário, a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.
A reportagem espanhola inseriu a discussão constitucional no conjunto de medidas defendidas por Flávio durante a campanha. A alteração da Constituição, nesse contexto, aparece associada a outras mudanças institucionais apresentadas pelo candidato como parte de seu projeto para o Estado brasileiro.
Na Argentina, o Página/12 também classificou Flávio como candidato de extrema direita e chamou atenção para a ampliação da presença do bolsonarismo no Congresso. O jornal destacou ainda a mobilização eleitoral de Lula diante da possibilidade de retorno do grupo político ligado a Jair Bolsonaro ao comando do governo federal.
A publicação argentina registrou que Lula convocou os eleitores a ocupar as ruas para impedir que o Brasil volte a sofrer um “retrocesso”. A disputa do segundo turno passou, assim, a ser apresentada pela imprensa internacional também como uma escolha sobre os rumos institucionais do país após a experiência do governo Jair Bolsonaro e os episódios de ruptura registrados depois das eleições de 2022.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin comparou a proposta de Flávio com a Constituição imposta pela ditadura. “Mal terminou o primeiro turno das eleições e eles já estão falando em mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil”, afirmou.
Alckmin também havia criticado a utilização do termo “redemocratizar” para justificar uma alteração constitucional, apontando a contradição entre a alegação de defesa da democracia e a proposta apresentada pelo candidato do PL.
A reação internacional ocorre enquanto Flávio Bolsonaro sustenta que uma maioria parlamentar permitiria promover mudanças na estrutura institucional brasileira. A proposta passou a ser examinada por veículos estrangeiros em conexão com o histórico político do bolsonarismo, as tentativas de ruptura após 2022 e a disputa pelo controle das instituições no próximo governo.























































