Flávio Bolsonaro articula obstrução contra PEC que acaba com escala 6×1
O senador Flávio Bolsonaro (PL) articulou para que parlamentares da oposição não registrassem presença nas sessões do Senado que discutem a PEC que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. A estratégia buscou esvaziar as sessões e impedir o avanço da proposta antes do segundo turno das eleições. Dirigentes das centrais sindicais denunciaram a tentativa e mantiveram pressão sobre os senadores em Brasília e nos estados.

A acusação foi feita por Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), durante mobilização realizada em Brasília ao lado do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, e do presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.
Bira afirmou que a articulação de Flávio Bolsonaro não conseguiu impedir o funcionamento da sessão realizada na terça-feira (6). “Estou achando que a coisa está andando muito bem. Ontem, apesar da tentativa de Flávio Bolsonaro tentar esvaziar a sessão, ele não foi feliz”, declarou o dirigente da CTB.
A proposta em discussão no Senado prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, modelo no qual o trabalhador cumpre seis dias de atividade antes de ter um dia de descanso. O texto é defendido pelas centrais sindicais, que passaram a pressionar os senadores para garantir a participação nas sessões e o andamento da votação.
Como as sessões do Senado ocorrem em formato semipresencial, as entidades sindicais também organizaram mobilização nos estados para cobrar dos parlamentares participação nos debates. A estratégia amplia a pressão sobre senadores que podem acompanhar as sessões de forma remota.
“É desumano”
Para Bira, a manutenção da escala 6×1 impõe uma rotina que reduz o tempo disponível para descanso e atividades fora do trabalho. O dirigente citou a situação das mulheres para explicar os efeitos da jornada sobre a vida doméstica.
“É desumano. Uma mulher, por exemplo, trabalha seis dias. Aí ela vai descansar no sétimo. O que descansar? Ela vai arrumar a casa, vai preparar tudo, lavar a roupa e tal”, afirmou.
O vice-presidente da CTB defendeu que a redução da jornada permita aos trabalhadores utilizar parte do tempo livre para atividades de formação, cultura e convivência familiar.
“Nós temos que dar essa oportunidade para o nosso povo para ler, para estudar, para poder cuidar dos seus filhos, ir ao teatro, cinema e levar as crianças para passear”, acrescentou.
A mobilização das centrais ocorre também dentro da disputa eleitoral. Bira afirmou que as entidades estão empenhadas na reeleição do presidente Lula e relacionou a campanha eleitoral à defesa de medidas voltadas ao trabalho, ao investimento público e à política econômica.
“Agora é hora de regaçar a manga e ir para a rua, buscar voto para que a gente possa derrotar o fascismo e ter um governo mais avançado. Um governo que jogue na direção do povo, reduza as taxas de juros, aumente o investimento público e fortaleça a nossa soberania nacional. Porque a soberania nacional é recurso para o povo: emprego e salário digno”, declarou.
Flávio Bolsonaro defende “liberdade” para definir jornada
Flávio Bolsonaro já declarou oposição à PEC e articulou para que senadores da oposição não registrassem presença durante as sessões destinadas à discussão da proposta.
O senador afirma defender outra alternativa para a organização da jornada. “O meu posicionamento é que eu tenho uma proposta infinitamente melhor, que é a da liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”, declarou.
Na prática, a posição apresentada por Flávio Bolsonaro abre espaço para uma jornada definida por negociação entre empregadores e trabalhadores, em oposição à proposta de redução da jornada e encerramento da escala 6×1.
A estratégia de obstrução foi adotada enquanto o Senado avançava na análise da PEC. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), abriu as sessões na terça-feira (6) e nesta quarta-feira (7), apesar do pedido de parlamentares bolsonaristas para que a discussão e a votação da matéria fossem adiadas para depois do segundo turno das eleições.
As centrais sindicais permaneceram em Brasília durante as sessões e mantiveram a mobilização nos estados para pressionar os senadores a participar dos debates e votar a proposta.
A expectativa registrada em 7 de outubro era de que a votação final do texto ocorresse na terça-feira (13) ou na quarta-feira (14).























































