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Flávio Bolsonaro usa apoio de Temer para conter rejeição ao bolsonarismo

há 4 dias
3 min de leitura

Michel Temer declarou apoio a Flávio Bolsonaro no início do segundo turno contra o presidente Lula, movimento recebido pela campanha como uma forma de aproximar o candidato da política tradicional. A avaliação de aliados de Flávio é que a presença do ex-presidente pode reduzir a rejeição entre eleitores que votaram no PL no primeiro turno sem ter identificação com a família Bolsonaro. O apoio também é visto como uma ponte política com Alexandre de Moraes e como possível instrumento para futuras negociações entre um eventual governo de Flávio e o Supremo Tribunal Federal.


Michel Temer © HUGO BARRETO / METRÓPOLES
Michel Temer © HUGO BARRETO / METRÓPOLES

A campanha de Flávio Bolsonaro passou a explorar o apoio de Temer por mais de uma razão. Além da aproximação com setores da política tradicional, aliados do candidato avaliam que a imagem do ex-presidente pode funcionar como uma espécie de contraponto à trajetória política de Jair Bolsonaro e ajudar a transmitir ao eleitorado uma ideia de maior aproximação com as estruturas tradicionais de poder.


De acordo com informações da coluna de Diego Amorim, do PlatôBR, aliados de Flávio consideram que Temer pode ser apresentado ao eleitor independente como “o adulto na sala”. A expressão é utilizada pela campanha para associar a presença do ex-presidente à ideia de que a política tradicional poderia participar de um eventual governo de Flávio Bolsonaro.


A estratégia busca afastar entre parte do eleitorado a percepção de que uma eventual vitória do candidato representaria a continuidade de um período associado, pela própria campanha, a “aventureiros” ou a “tempos turbulentos” durante o governo de Jair Bolsonaro.


O apoio de Temer também tem uma dimensão eleitoral direta. A campanha de Flávio pretende alcançar eleitores que não demonstram simpatia pela família Bolsonaro, mas que votaram no número 22 no primeiro turno, realizado no domingo (4), seja como forma de rejeição ao presidente Lula, seja pelo desejo de mudança no governo federal.


Esse segmento do eleitorado passou a ser disputado pelas campanhas no segundo turno. O PT também incluiu esses eleitores entre os grupos que pretende alcançar na busca por votos para a disputa contra Flávio Bolsonaro.


A aproximação com Temer possui ainda uma dimensão política relacionada ao Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente é apontado pela coluna como uma das principais pontes políticas com Alexandre de Moraes, ministro do STF, e sua presença na campanha de Flávio é apresentada como possível canal para uma futura negociação entre um eventual governo do candidato e a Corte.


Essa relação ganha peso diante da tensão acumulada entre o bolsonarismo e o STF. A participação de Temer permite à campanha de Flávio incorporar uma figura com trânsito na política institucional e, ao mesmo tempo, sinalizar a setores da política tradicional uma disposição para estabelecer canais de interlocução.


O apoio também possui um componente pessoal. Conforme relatado pela coluna, chegou a Temer a informação de que Lula teria feito críticas e xingamentos contra o ex-presidente durante seu mandato, sempre que o nome dele era mencionado no Palácio do Planalto.


Temer foi vice-presidente de Dilma Rousseff e assumiu a Presidência da República após o impeachment de 2016. Até hoje, integrantes do PT acusam o ex-presidente de ter participado da articulação política que levou à retirada de Dilma do cargo.


É nesse histórico que se insere o apoio de Temer a Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026, em uma campanha que busca ampliar sua base para além do eleitorado identificado diretamente com o bolsonarismo.

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