Janones mobiliza 1,8 milhão no WhatsApp para campanha de Lula
Uma mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) alcançou 1,8 milhão de seguidores em um canal do WhatsApp voltado à campanha de reeleição de Lula. A articulação integra uma frente de mobilização para o segundo turno, que também reúne parlamentares eleitos, influenciadores e comunidades de fãs de artistas da música pop e do k-pop. A iniciativa ganhou força após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula, com diferença de 2.224.965 votos.

A articulação começou a ganhar escala depois da votação de domingo (4), quando Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, correspondentes a 56.104.503 votos, enquanto Lula alcançou 45,16%, com 53.879.538 votos. A diferença levou a coordenação petista a direcionar esforços para eleitores indecisos e para os mais de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas.
Nesse cenário, Lula reuniu-se com André Janones e com os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG) e Pedro Rousseff (PT-MG) para discutir a reorganização da comunicação digital da campanha e a integração entre a estrutura institucional e iniciativas de mobilização nas redes.
Depois do primeiro turno, Janones ampliou por iniciativa própria a atuação no canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp. O espaço tinha cerca de 50 mil inscritos antes da votação e chegou a 1,8 milhão de seguidores na manhã de quarta-feira (7), enquanto o deputado estabeleceu como meta alcançar 3 milhões de participantes nas semanas seguintes.
O funcionamento do canal vem sendo apresentado em vídeos informativos por comunicadoras como Nayara Ruiz. O espaço está localizado na aba “Atualizações” do WhatsApp, separada das conversas privadas utilizadas pelos usuários.
A ferramenta possui formato de transmissão unidirecional: somente Janones publica conteúdos, entre eles áudios e orientações para que os integrantes cumpram “missões” de divulgação e convidem novos contatos. Os participantes podem reagir às mensagens por meio de emojis, recurso utilizado pelo deputado para medir a recepção dos conteúdos publicados.
Janones também passou a defender mudanças na comunicação da campanha petista nas redes. Em declarações divulgadas pelo Brasil de Fato, o deputado criticou o formato institucional adotado pela campanha e defendeu conteúdos produzidos com celulares comuns, mostrando Lula em situações cotidianas e em contato com a população.
A proposta foi resumida por Janones na expressão “mais calçada e menos helicóptero”, em referência à necessidade, segundo ele, de aproximar a comunicação eleitoral da experiência cotidiana dos eleitores.
A reunião com Lula também contou com Ana Elisa e Pedro Rousseff, parlamentares eleitos que mantêm atuação nas redes digitais. Ana Elisa, segunda candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, com mais de 500 mil votos, defendeu levar para a internet a mobilização já realizada em manifestações presenciais.
“O Lula, o Partido dos Trabalhadores e toda a esquerda já levaram o povo para a rua. Agora é fazer a nossa mobilização nas redes sociais. Se não fizermos a nossa mobilização nas redes sociais, não tem chance. Força na rua a gente já mostrou. Agora é o momento de mostrar a força na rede”, declarou após o primeiro turno.
A estratégia discutida com o presidente envolve uma rede de parlamentares e influenciadores com centenas de milhares de seguidores. A intenção é promover publicações conjuntas e estabelecer linhas de comunicação compartilhadas durante as três semanas que antecedem o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Outra frente surgiu de comunidades de fãs de artistas nacionais e internacionais da música pop e do k-pop. Perfis dedicados a Beyoncé, Anitta, Taylor Swift, BTS, Blackpink, Lady Gaga, Dua Lipa, Billie Eilish e Ariana Grande passaram a divulgar mensagens de apoio à disponibilização de seus canais para conteúdos relacionados à campanha de Lula.
Em uma mensagem dirigida ao perfil oficial do presidente, administradores dessas páginas afirmaram: “Nossas redes estão abertas para você e sua equipe. Estamos disponíveis para compartilhar informações de interesse público e conteúdos relacionados à sua campanha, sempre com o objetivo de ampliar o acesso do nosso público às informações”.
Os administradores das fanbases ressaltaram que a iniciativa não constitui posicionamento oficial dos artistas mencionados, mas uma decisão dos responsáveis pelas páginas.
A mobilização tem como foco alcançar o público jovem, reduzir a abstenção e dialogar com eleitores que votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno. A equipe de comunicação de Lula respondeu às páginas por mensagens diretas para estabelecer canais destinados ao envio de materiais informativos.
A aproximação entre comunidades de fãs e o governo federal já havia ocorrido em agosto de 2026. Na ocasião, representantes de fã-clubes de BTS, Taylor Swift e outros artistas estiveram no Palácio do Planalto durante a assinatura de decretos presidenciais que estabeleceram medidas contra o cambismo digital na comercialização de ingressos e determinaram a distribuição gratuita de água potável em eventos de grande porte.
Paralelamente às ações voltadas à mobilização em massa nas redes, grupos ligados à esquerda passaram a defender o uso da internet como instrumento de organização para conversas presenciais.
Entre essas iniciativas está o Vira-Voto Brasil, articulado por Débora Baldin, Sabrina Fernandes e Gabrielle Nascimento, com apoio de comunicadoras como Laura Sabino. O projeto reúne milhares de voluntários em um canal do Telegram e em grupos estaduais destinados à organização das atividades.
A iniciativa utiliza o conceito de “vira-voto enraizado”, baseado na avaliação de que a circulação de mensagens em grande escala nas plataformas digitais não é suficiente, por si só, para alterar escolhas eleitorais.
Os materiais distribuídos pelo movimento orientam os voluntários a identificar espaços nos quais já possuem vínculos de confiança e convivência, como locais de trabalho, comunidades de vizinhança, escolas e círculos familiares, para estabelecer conversas individuais sobre propostas eleitorais e efeitos das políticas públicas no cotidiano.























































