Valdemar admite planejamento de golpe e depois nega nova tentativa sob governo de Flávio
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve planejamento para um golpe de Estado após as eleições de 2022. Questionado sobre uma nova ruptura institucional durante eventual governo de Flávio Bolsonaro, respondeu inicialmente “Sei lá” e depois afirmou que isso “nunca, jamais” seria cogitado. As declarações foram dadas em 7 de outubro, durante entrevista ao programa “Timeline”, da Rádio Gaúcha.

Valdemar também defendeu anistia para envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e na tentativa de golpe, afirmando que a medida deveria “soltar todos os militares que estão presos injustamente”. Para o dirigente, discutir a realização de um golpe sem que ele tenha sido executado não deveria ser tratado como crime.
“Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, afirmou Valdemar. Questionado pelo jornalista Paulo Germano se reconhecia que havia existido planejamento para a ruptura, respondeu: “Não tenha dúvidas”.
Na entrevista, Valdemar foi questionado sobre quem garantiria que uma nova tentativa não ocorreria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Diante da pergunta sobre a possibilidade de repetição da trama, respondeu: “Sei lá, sei lá”.
Após a repercussão da resposta, o presidente do PL reformulou sua posição e tentou afastar a possibilidade de uma nova ruptura. “Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, declarou, associando sua afirmação à prisão de Jair Bolsonaro.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que pretende “redemocratizar” o Brasil e declarou que “as instituições têm que voltar a ser respeitadas”. A manifestação ocorreu durante o anúncio do apoio do Republicanos à candidatura do senador do PL no segundo turno presidencial.
Na terça-feira (6), durante uma agenda em Goiânia, Flávio havia declarado que pretendia utilizar a maioria de centro-direita eleita para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal para “mudar a Constituição e redemocratizar esse país”. Na ocasião, não apresentou quais mudanças seriam realizadas.
No dia seguinte, Flávio explicou que a declaração se referia a propostas que já defende, incluindo a redução da maioridade penal, mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), alterações na reforma tributária e o fim da reeleição.
Valdemar também foi questionado sobre a defesa do impeachment de ministros do STF feita por integrantes do PL durante a campanha eleitoral. O presidente do partido afirmou que o tema precisa ser discutido pelo Congresso, mas declarou que não considera adequada uma disputa entre os Poderes.
“Isso precisa ser discutido. O ideal para nós era que o Supremo resolvesse os problemas dentro do Supremo, mas é uma pauta que vai ter uma discussão grande. Não vamos resolver nada com guerra, na minha opinião. Temos que ter habilidade de tocar o país para frente”, afirmou.
O STF passou a ocupar o centro dos ataques da extrema direita durante o governo Jair Bolsonaro, com ofensivas contra ministros, contra o funcionamento da Corte e contra o sistema eleitoral. Depois das eleições de 2022, o tribunal passou a atuar nas investigações e nos julgamentos relacionados à tentativa de golpe e aos atos de 8 de Janeiro.
De acordo com as investigações, o próprio STF estava entre os alvos da trama. O plano previa medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, incluindo sua prisão ou assassinato.
Dados do Supremo Tribunal Federal apontam que 1.402 pessoas foram condenadas por crimes relacionados aos atos de 8 de Janeiro e à tentativa de golpe. Entre os condenados estão integrantes dos núcleos identificados pelas investigações como responsáveis pelo planejamento da ruptura institucional, incluindo Jair Bolsonaro e generais que fizeram parte de seu governo.
As investigações da Polícia Federal também identificaram o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a investigação, integrantes das Forças Especiais monitoraram Moraes e avaliaram a possibilidade de prendê-lo ou assassiná-lo em dezembro de 2022. O plano buscava criar condições para impedir a posse de Lula e alterar o resultado das eleições realizadas naquele ano.























































